TODO ATESTADO MÉDICO DEVE SER ACEITO PELO RH?
- Márcia A. L. Momm

- há 6 dias
- 3 min de leitura
Entenda os limites, cuidados e riscos na análise desses documentos.
Receber atestados médicos e declarações faz parte da rotina de qualquer empresa. Mas será que todo documento apresentado pelo empregado deve ser aceito automaticamente para abono de faltas ao trabalho? Onde mora o risco trabalhista quando o RH não confere os detalhes?
Neste Blog, vamos conversar sobre os principais pontos de atenção que empresas e profissionais de RH precisam observar ao receber atestados médicos e declarações, especialmente diante de mudanças recentes que buscam dar mais segurança e combater fraudes.

📌 Por que os atestados merecem tanta atenção?
O atestado médico não é apenas um “documento para justificar falta”. Ele impacta diretamente a folha de pagamento, os encargos previdenciários, os registros no eSocial e, claro, o risco de passivos trabalhistas.
Aceitar um documento inválido pode gerar pagamento indevido de salários, erros nas informações prestadas ao Governo e questionamentos em fiscalizações ou ações judiciais. Por outro lado, não dar o tratamento adequado para um atestado válido também pode resultar em condenações e desgaste na relação com o empregado.
Ou seja: equilíbrio, critério e informação são essenciais.
🧐 Todo atestado é igual?
Definitivamente, não.
Na prática, chegam ao RH diferentes tipos de documentos, como:
Atestado médico de afastamento, que recomenda dias de dispensa do trabalho;
Atestado de acompanhamento, usado quando o empregado acompanha familiar em consulta ou exame;
Declaração de comparecimento, que apenas comprova presença em atendimento de saúde;
Atestado de saúde, usado para identificar a condição de saúde física e mental de paciente para diversas finalidades;
Atestado de saúde ocupacional, documento que comprova se o empregado está apto ou inapto para o trabalho;
Declaração de óbito.
Cada um tem finalidade específica — e efeitos diferentes para fins trabalhistas e previdenciários. Tratar tudo da mesma forma é um erro comum.
🔍 O que não pode faltar em um atestado válido?
Aqui está um ponto crítico para o RH: nem todo papel com assinatura de um profissional da saúde é, de fato, um atestado válido.
De forma simples, o documento precisa permitir a identificação:
do médico (nome e CRM);
do paciente;
da data de emissão;
do período de afastamento, quando houver;
e da assinatura válida (manual ou digital).

❓ Pode exigir CID no atestado?
Essa é uma dúvida clássica e polêmica.
Em regra, o diagnóstico (CID) só pode constar no atestado com autorização do paciente. Exigir CID de forma automática pode violar o sigilo médico.
A exceção mais comum ocorre nos casos de acidente de trabalho, já que a informação é necessária para registros obrigatórios, como a CAT e o eSocial.
Por isso, políticas internas genéricas exigindo CID merecem revisão urgente.
⏰ Existe prazo para o empregado entregar o atestado?
A legislação não fixa um prazo único. Isso significa que a empresa pode — e deve — estabelecer regras internas razoáveis para a entrega dos documentos, sempre observando:
acordos ou convenções coletivas;
tempo hábil para fechamento da folha;
cumprimento das obrigações no eSocial.
Regras claras evitam conflitos e dão mais segurança tanto para o empregado quanto para o RH.
🧾 E quando o afastamento passa de 15 dias?
Aqui o alerta é vermelho.
A empresa é responsável por remunerar apenas os primeiros 15 dias de afastamento por doença ou acidente. A partir daí, o empregado deve se encaminhar ao INSS para avaliação.
Falhas nesse controle são recorrentes e podem gerar custos indevidos ou problemas previdenciários. RH atento acompanha datas, soma períodos e orienta corretamente o trabalhador.
💻 Telemedicina e atestados digitais: posso aceitar?
Sim, desde que o documento siga as regras.
Atestados emitidos em atendimentos por telemedicina são válidos, desde que contenham assinatura digital qualificada e todos os dados obrigatórios. A tendência é que esses documentos se tornem cada vez mais comuns, exigindo do RH atenção redobrada na conferência.
🚨 Onde estão os maiores riscos para as empresas?
Os principais problemas surgem quando a empresa:
aceita atestados sem conferir requisitos mínimos;
exige informações indevidas, como CID;
não controla corretamente os prazos de afastamento;
falha no envio das informações ao eSocial;
não revisa suas normas internas e procedimentos.
Boa gestão de atestados não é burocracia: é prevenção.
🤝 Como a ITC Consultoria pode ajudar?
Em um cenário de mudanças constantes, contar com orientação especializada faz toda a diferença.
A ITC Consultoria auxilia empresas e profissionais de RH na revisão de procedimentos internos, interpretação prática das normas trabalhistas e previdenciárias, adequação ao eSocial e capacitação das equipes.
Mais do que cumprir regras, o objetivo é reduzir riscos, evitar autuações e construir relações de trabalho mais seguras e transparentes.
👉 Se o tema faz parte da sua rotina, vale continuar acompanhando nossos conteúdos — e conversar com quem vive isso todos os dias.










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